Crônicas da Gordura Flutuante: Capítulo da Raposa (I)
Parece ser uma obra deixada por um poeta desconhecido dos primórdios da antiga Benzaitengoku, quando a poesia ainda não havia desaparecido. Este deve ser o pergaminho de abertura de uma dessas obras.

Crônicas da Gordura Flutuante: Capítulo da Raposa (I)

As raposas são as criaturas mais sábias,
pois sabem como colher os dons da Terra.
O enxofre junto às fontes termais,
o salitre nos excrementos das aves.
As criaturas mais sábias se banham em poças de lama,
para que seu pelo flamejante não acenda o pó.

O fogo celeste chamusca a costa sem nome,
numa noite não muito distante.
Quando chuvas de meteoros cruzaram o céu escuro,
só as raposas sabiam que eram fragmentos de baleias caídas.

As criaturas mais sábias procuram nos bancos de maré,
âmbar, âmbar-cinzento e vidro estrelado de navios naufragados.
Pérolas não são raras aqui,
onde mariscos periódicos abrem suas longas bocas,
e lantanídeos e actinídeos se escondem em seus mantos.

Caldeirões de argila nutrem feitiços alquímicos,
pois o mundo tem lágrimas demais,
e o que é escasso é a verdadeira riqueza.
Naqueles anos sem luar,
o céu estrelado apenas reflete os sorrisos astutos das raposas.